terça-feira, 28 de maio de 2019

[NEWS] O Som do Silêncio



Enquanto testam seus limites para alcançar o alto dos Alpes, dois homens entram em conflito ao também tentar conquistar o coração da mesma mulher.

Esta é a história de uma peça alemã-suiça de 1928, entitulada "Fight For The Matterhorn", que esteve em cartaz na sexta feira dia 17, na abertura do 6º Festival de Filmes Mudos. Apresentadopelo Arquivo Cinematográfico Tailandês, o festival foi apresentado até dia 26 no Scala Theatre.

Mas na sexta, a aventura muda dos Alpes não foi silenciosa, sendo acompanhada pelo grupo de música contemporânea tailandesa Korphai.





Ao longo de quase quatro décadas, o Korphai criou uma considerável reputação. Durante metade desse tempo, eles estiveram envolvidos com partituras de filmes. No início, fizeram parte do audio de "Anel Mágico", filme sobre o Rei Rama VII, de 1929. Alguns anos depois, a trilha sonora de "The Overture", de 2004, ganhando vários prêmios no país. E, em 2012, a banda colaborou com músicos internacionais para compor uma música para "The Light of Asia", um filme alemão-indiano de 1925, baseado na vida de Buda.

O grupo foi criado em 1980, quando o veterano em musica tradicional tailandesa Anan Nakkong convidou amigos de diferentes institutos acadêmicos para se apresentar no 100º aniversário de nascimento do maestro Luang Pradit Pairoh (Sorn Silpabanleng).

Dois anos depois, o grupo tornou-se centro das atenções quando ganhou o prestigioso Concurso Nacional de Música da Tailândia, organizado pela Fundação Luang Pradit Pairoh no Teatro Nacional. Desde então, seus números só aumentaram, embora ainda se considerem uma banda amadora.

Atualmente, o grupo tem mais de 10 membros. A maioria tem empregos em tempo integral e se reúne para tocar música em seu tempo livre. Cada membro pode tocar mais de um instrumento, como por exemplo o arranjador musical principal Chaibhuk Bhutrachinda, que toca metalofone, khong wong yai, piano eletrônico e guitarra. Ele também cria partituras para filmes mudos.


"O filme sonoro pode se comunicar através do diálogo, pontuação e até momentos de silêncio", disse ele. "Mas para um filme mudo, a performance de música ao vivo é usada para expressar atmosfera, emoção e quase tudo. É difícil porque temos que criar 117 minutos de música."

Afim de criar a música de "Fight For The Matterhorn", o Korphai estudou o filme para ter noção de seu contexto.
"Nós discutimos como a música deveria ser para expressar as diferentes cenas", explicou ele. "Pode ser rápido, lento, flutuante ou grooving. Todos os membros têm de concordar com os sons e ritmos, mas os detalhes são improvisados por cada músico."

"Improvisação é o charme da performance ao vivo. Isso torna a música diferente a cada que vez que tocamos."

Chaibhuk foi um dos membros do Korphai que realizou a trilha de "Anel Mágico". Ele disse que a maioria das apresentações ao vivo para filmes mudos no passado usava uma banda de metal tradicional tailandesa ou um conjunto de instrumentos de cordas tailandesas. Sem experiência prévia, o Korphai decidiu fazer o que os outros fizeram e optou por usar instrumentos de corda.

"Naquela época, não havia arranjos musicais para filmes mudos", lembrou Chaibhuk "Usamos qualquer música que sentimos junto ao filme. Se houvesse uma cena sobre a água, tocávamos uma música sobre a água. Se houvesse um momento doce, tocávamos uma música romântica. Muitas vezes tínhamos que parar de tocar de repente porque a cena iria terminar. Mas foi nossa primeira experiência e foi divertida."

Para a trilha de "The Light of The Asia", três músicos do Korphai tocaram com músicos indianos, um guitarrista de Cingapura e um pianista da Europa.

"Cada músico tinha diferentes origens. Compartilhamos nossas ideias e sentimentos. Os indianos tocaram a tabla, que se adaptou muito bem ao filme. Nós dividimos as partes para cada música e o resultado foi suave, diversificado e colorido."

O que distingue o Korphai é que a banda sempre foi composta por membros com diversas características musicais, permitindo ao grupo continuar a expandir seu repertório de composições tradicionais para áreas como folk, pop, jazz e música experiemtnal. Ao longo dos anos, a banda lançou vários cds e se apresentou em toda a Tailandia e no exterior, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Austria, França, Coreia do Sul, China e Índia. Os membros da banda também dão palestras,. demonstrações e workshops para fins educacionais e de apreciação cultural.

Enquanto alguns estão preocupados com o futuro da música tradicional tailandesa, Chaibhuk acredita que continuará a ter um lugar entre um público amplo. Mas precisa de ajuda.
"Se as pessoas não apoiarem a música tradicional tailandesa, a popularidade diminuirá. Os instrumentos provavelmente serão tocados apenas em institutos acadêmicos. A mídia deve desempenhar um papel no apoio a essa importante tradicional cultural e fornecer mais conteúdo ne A música tradicional tailandesa é um nicho de mercado. É difícil ganhar dinheiro com isso, mas é importante para fins educacionais."

Créditos: Bangcok Post
Tradução e Adaptação: Deh @TMBR
Favor não retirar sem os devidos créditos!

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