sexta-feira, 12 de outubro de 2018

[NEWS] A Onda Coreana Que Chegou na Tailândia


A onda do K-Pop transformou nossas vidas, da Ásia e do mundo. São novelas, filmes, músicas e roupas que invadiram e influenciaram o entretenimento local. Vimos a música pop coreana tornar-se viral com o Ganganm Style, que tomou o mundo, e artistas como BTS tomando lugar nos charts da Billboard. Recentemente, um evento de k-pop levou várias pessoas à Oakland, California.

As tentativas aconteceram por anos, não só de exportar mas de mostrar o conteúdo para o mundo, mas ir mais a fundo foi difícil. Na Tailândia, vimos remakes de dramas clássico, como Autumn in My Heart, Full House, My Girl e, em breve, You Who Came From the Stars, que está em produção. No filmes, vimos Davika Hoorne, atualmente em Suddenly Twenty, protagonizar o hit coreano Miss Granny, o qual teve suas versões chinesa, vietnamita, japonesa e indonésia.

Na música, o modelo de negócios multi cultural também opera em dimensões diferentes. Vemos alguns tailandeses como Nichkhun da boyband 2PM, Bam Bam do Got7 e Lisa do girlgroup  BlackPink se tornando parte do cenário pop coreano.


Ao mesmo tempo, o som e estilo do K-Pop afetou a nova geração da música pop tailandesa, nos útimos anos. Em retorno, há coreanos ganhando espaço no cenário musical tailandês, em grupos feitos no estilo do K-Pop. Exemplos são do agora desfeito K-OTIC, uma boyband com cinco membros tailandeses, com descendência japonesa e coreana.

O último grupo multi cultural é o Rose Quartz, um girlgroup com cinco membros da Coreia do Sul, Tailândia e Myanmar. O projeto é encabeçado pelo coreano Choi Jong Hwan, presidente da 0316 Entertainment, que expandiu sua empresa para a Big Mango. Antes, ele também produziu o boy group 316 Three One Six, com cinco membros tailandeses e dois coreanos.

A empresa de Choi veio para a Tailândia em 2012 para organizar concursos de street dance e B-boy. Ele disse que ficou muito surpreso de ver tanta energia dos jovens, e que todos eram muito bonitos.

“Na Coreia, as pessoas têm muita determinação. Mas na Tailândia, acho que as pessoas parecem mais felizes quando dançam e trabalham. Eles se sentem confiantes quando fazem as coisas. Então pensei em trazer esse sistema de treinamento já existente na Coreia do Sul, e, se eles se inscrevessem, acho que as crianças tailandesas se adaptariam fácil”, disse Choi, por intermédio de um intérprete.


Ele apontou a prodigalidade da dança das meninas do Rose Quartz, que participaram de várias audições e concursos. As meninas já lançaram dois singles, ganhando uma base sólida na Tailândia e muito maior em Myanmar. Sua música é uma mistura da batida coreana com letras melodiosas que os tailandeses gostam.

“Acho que também é nossa identidade. O melhor dos dois mundos. Pegamos o charme de cada musica e a transformamos em uma”, disse Choi.

O idioma se mostrou um obstáculo entre ele e seus artistas. Rose Quartz canta e faz rap em tailandês, inglês e birmanês, e planeja lançar versões em coreano. De sua perspectiva como produtor, com pouco conhecimento em tailandês e birmanês, Choi admite que ele não têm bem certeza se as meninas estão pronunciando as palavras corretamente no estúdio. No final, as membros confiam-se umas nas outras para corrigir pronúncia.

“O K-Pop também quer atingir mais ouvintes locais", ele continuou. “Em shows, você pode ver que os artistas cantam músicas locais para satisfazer seus fãs. Quero chegar a estes ouvintes locais também, com canções nos idiomas locais, mesmo que seja bem trabalhoso”.

Além da fusão musical, o treinamento que as meninas receberam antes de sua estréia também foi uma mistura de abordagens tailandesas e coreanas. Trabalhar em um país estrangeiro pede muito trabalho para a adaptação em cultura e contexto local. O Rose Quartz ensaia algumas horas por dia, tira uma folga que o produtor chama de “pequeno, mas de qualidade”, contrária às 10 horas coreanas.

“O sistema que temos na Coreia pode ser muito rígido e sério”, ele comentou. “As pessoas pensam que eles precisam trabalhar muito, para imitar o que julgam ser o maior dos padrões e se forçam muito, o que não é sempre bom. Há muitas comparações e competições acontecendo e não acho que esse sistema – em sua totalidade, daria certo na Tailândia. Nós tornamos as coisas mais naturais o possível aqui.”

“O clima também é quente, então temos que descansar um pouco”, adicionou, com um sorriso.

“Entretanto, não é dizer que um é melhor que o outro. Estamos apenas adaptando o que funciona melhor em cada país”.

Para uma empresa sul coreana encontrar um lugar dentro do mercado da Asean não é sempre fácil, de acordo com Choi. A indústria do entretenimento na Coreia do Sul é inúmeras vezes maior, dando mais oportunidades para empresas menores para ter seu espaço no mercado. Ele comparou isso à Tailândia, que é dominada por poucas grandes empresas e onde as pequenas precisam lutar.


Perto de Myanmar, é outro papo; não há muitos canais de mídia, para começo de conversa, e com espaço muito limitado os artistas conseguem se apresentar. Em questão de marketing no país, Choi disse que a empresa têm como parceira a JBJ Entertainment, birmanesa, e eventualmente usa as mídias sociais para alcançar as pessoas.

“A internet até pode ser devagar aqui, então as pessoas tendem a não ficar online muito tempo. Entretanto, o que é realmente rápido é o Facebook, então as pessoas usam a beça. Para a promoção de nossos vídeos, colocamos pequenos clipes no Facebook, porque atingimos pessoas nessa plataforma”.
Ele adicionou que é quase de conhecimento universal que as pessoas estão de olho da indústria de entretenimento asiático, e especialmente na Asean, com mais interesse.

“A visão estão está mais aberta agora com o Facebook e o Youtube. No passado, as pessoas prestavam mais atenção no oeste, devido à exposição na televisão. Mas agora, na era das mídias sociais, tudo abriu. As pessoas começaram a aprender músicas de outros países e a perceber mais talentos, que não existem apenas nos Estados Unidos e Europa. Se alguém é bom, ele vai logo crescer aos olhos do mundo”.

Esse crescimento na Asean têm se mostrado nas empresas tailandesas. Recentemente, a GMM fez um anúncio de que eles estão procurando novos atores entre na AEC. Programas como The Face Men Thailand também têm feito audições em Myanmar, procurando por candidatos para a segunda temporada, e oficialmente abriu a competição para homens independente de nacionalidade. O futuro do entretenimento parece ser bem aberto na região.

Choi também chamou a Tailândia de “berço das possibilidades”, com muito potencial, quando se trata de entretenimento.

“A Tailândia é meio sensível quando se trata de mercado mundial. É um país turístico. Têm um senso forte de fazer o que o mercado internacional quer que se faça. As pessoas são mais abertas a novas mudanças.”

“Até mesmo na Coréia, as pessoas sabem que os tailandeses têm muito a dar. Eles viram tailandeses se tornando ídolos no K-Pop, o talento foi provado. Ao mesmo tempo, o resto do Asean precisa perceber que o Vietnã, Myanmar e Camboja também têm muito a oferecer. Logo se provarão tão bons quanto.”

Créditos: Bangkok Post
Tradução: Deh @TMBR
Favor não retirar sem os devidos créditos!

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